Golpes com Cartões: Reconheça e Proteja-se

Golpes com Cartões: Reconheça e Proteja-se

Os golpes com cartões continuam entre as fraudes mais conhecidas e temidas pelos brasileiros. Entender o cenário, identificar os riscos e adotar hábitos de segurança pode evitar prejuízos e stress.

Contexto das fraudes com cartões

Na pesquisa Radar Febraban de março de 2025, a clonagem de cartão foi apontada como o golpe mais lembrado pelos brasileiros, citado por 40% dos entrevistados. A proporção de pessoas que afirmaram ter sofrido ou presenciado tentativas de golpe subiu de 33% para 38% em apenas seis meses.

O levantamento ouviu 2.000 pessoas nas cinco regiões do país e revelou que homens, idosos e universitários destacaram maior exposição às fraudes. Ainda segundo a Serasa Experian, o setor de bancos e cartões concentrou 54% das tentativas de fraude no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 21,5% em relação ao ano anterior.

É essencial diferenciar tentativa de fraude, fraude efetivamente concluída e ocorrência policial: pesquisas de percepção medem lembranças e relatos, enquanto empresas de prevenção contabilizam as tentativas de fraude identificadas em suas bases.

O que caracteriza um golpe com cartão

Qualquer prática que vise obter, usar, desviar ou adulterar dados de um cartão para realizar transações sem autorização configura um golpe. A fraude pode ocorrer com o cartão físico, por meio de dados eletrônicos ou por manipulação psicológica da vítima.

Vale lembrar que o cartão não precisa ser ‘clonado’ fisicamente: muitas vezes, basta apenas número, validade e código de segurança para compras online ou cadastro em carteiras digitais.

Principais modalidades de golpe

Clonagem ou roubo de dados: o criminoso obtém informações do cartão por meio de sites falsos, aplicativos maliciosos, vazamentos, formulários fraudulentos e redes Wi-Fi inseguras.

  • Sites falsos e e-mails phishing
  • Aplicativos maliciosos
  • Formulários e ligações fraudulentas
  • Wi-Fi públicas sem proteção
  • Maquininhas adulteradas

Sinais de alerta: notificações de compras desconhecidas, transações de teste antes de valor maior e e-mails sobre pedidos não realizados.

Troca de cartão: em compras presenciais, o golpista distrai a vítima e devolve um cartão parecido, mantendo o verdadeiro para saques e compras posteriores.

  • Conferir valor exibido na tela da maquininha
  • Passar o cartão pessoalmente, sem terceiros
  • Verificar se o cartão devolvido é o seu

Golpe da maquininha: pode haver valor digitado acima do combinado, visor coberto ou telas apagadas, cobrando duplicadamente.

Em pagamentos por aproximação, espere o valor aparecer claramente antes de aproximar o cartão ou celular. Caso haja suspeita, cancele a operação e solicite outra máquina.

Falsa central telefônica: o criminoso finge ser funcionário de banco, solicita número do cartão, código de segurança, senha ou até transferências para uma “conta segura”.

Em 2025, 26% dos entrevistados citaram essa modalidade. Banco não pede senha ou código de autenticação por telefone. Se houver dúvida, desligue e entre em contato pelo aplicativo oficial ou número no verso do cartão.

Phishing e páginas falsas: tentativas de capturar dados via links ou mensagens que imitam bancos, lojas ou administradoras.

Indícios de página falsa incluem domínio diferente, erros de ortografia, urgência exagerada e pedidos de senha fora do canal oficial.

Falsa loja ou falsa venda: anúncios com preços muito abaixo do mercado coletam dados do cartão ou direcionam vítima a pagamentos fraudulentos.

Pesquise reputação da empresa, confira CNPJ e evite clicar em links recebidos. Prefira cartões virtuais e não salve dados em sites desconhecidos.

Golpes em marketplaces: o golpista cria perfil falso em plataformas conhecidas, combina preço atrativo e, após pagamento, desaparece ou envia produto diferente.

Verifique avaliações de compradores, comunique-se apenas pelos canais oficiais do site e use sistemas de pagamento seguros e rastreáveis.

Medidas preventivas essenciais

Adotar práticas cotidianas pode reduzir drasticamente o risco de fraudes:

  • Ative alertas de transação em tempo real
  • Use senhas fortes e mude periodicamente
  • Não compartilhe dados em mensagens ou redes sociais
  • Monitore extratos e faturas com frequência
  • Desconfie de ofertas e cobranças não previstas

Roteiro de reação para vítimas

Se você desconfiar de uso não autorizado do seu cartão:

1. Bloqueie imediatamente o cartão pelo aplicativo ou 0800.

2. Registre boletim de ocorrência online ou na delegacia mais próxima, apresentando extratos e comunicações suspeitas.

3. Solicite segunda via do cartão e altere senhas de contas bancárias e digitais.

4. Acompanhe o relatório de fraude da administradora e peça estorno das transações não reconhecidas.

5. Verifique seu CPF em bureaus de crédito para identificar tentativas de abertura de contas ou empréstimos em seu nome.

Informar-se e manter hábitos de segurança é a melhor forma de transformar vulnerabilidade em proteção. Esteja sempre atento, compartilhe conhecimento e ajude a construir um ambiente financeiro mais seguro para todos.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

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